sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Poeminha de amor


há de haver as janelas que dão para primavera
há de haver as xícaras coloridas sobre a toalha branca, com café sempre quentinho
há de haver as luzes da biblioteca sempre acesas
há de haver os dedos amorosos nos cabelos negros, quando das noites sem sono
há de haver o beijo que seca as lágrimas e molha o ventre
há de haver o silêncio cúmplice nos dias sem flores
há de haver o vôo de asa emancipada, sempre pronta para voltar
há de haver os sentidos confundidos na bagunça da cama
há de haver as músicas trocadas pelo olhar
há de haver as mãos distribuídas em afagos
há de haver as sombras guardadas no bojo da luz
há de haver as pedras bordadas em ponto cruz
há de haver a segunda com preguiça
há de haver a sexta com vinho
há de haver os sábados com os amigos e o domingo só eu e tu
há de haver o mar e sua beleza pintando o céu de azul
há de haver Clarice, Pessoa, Neruda e Drummond em colchão d’água
há de haver o livro publicado
há de haver a poesia sempre por fazer
há de haver os netos para contarem a história





Caso chova



de qualquer jeito
cavar a noite
com unhas de veludo

caso chova
amemo-nos
no fundo dos olhos
carne e pólvora
tudo acaba de nascer
sonhos navegados
sob as águas grávidas da tua saliva

O roubo da lua


amou
tanto

doía-lhe

os
dias
os
olhos
os
ossos

seguiu
catando
as
folhas

até
que
um
dia
a
lua

por
piedade

roubou-lhe
a
saudade

quinta-feira, 31 de julho de 2008

turvo carmim




Viro Bukowski ou Serafim
com tua olhada turva, baby

lambo teus dedos chagados
com licor jasmim, que sai de mim

e com boca prenhe de carmim
mastigo tuas palavras sujas
atravessando o antecipado desejo


luares





no ópio da noite
a navalha
cortante de um blues

rasga-me a veia
com crueldade obscena
fascina-me a pele sedenta

as luzes da cidade
alinham-se ao teu corpo
em convite indecoroso

tudo escurece
meus beijos apagam luares
para acender você


(Poema feito em parceria com o querido
poeta Danilo Sbrissia)



quarta-feira, 23 de julho de 2008

De quem tem



não me agradeça
os beijos que não te dei
ou mesmo os que vou te dar
tampouco os que nunca te darei

não me agradeça as ilusões que são minhas

não me agradeça por nada
porque nada tenho eu pra te dar


Sessão das 22:30




Cariño,
liga as estrelas
vem ver a beleza de flores
que nasci para ti

venha de barco
porque sei das águas por aí

traga nos lábios
beijos vermelhos
para colorir a minha rima
e vê se anima
a mais tarde
pegar a sessão das 22:30 no Cine Pathé