há de haver as janelas que dão para primavera
há de haver as xícaras coloridas sobre a toalha branca, com café sempre quentinho
há de haver as luzes da biblioteca sempre acesas
há de haver os dedos amorosos nos cabelos negros, quando das noites sem sono
há de haver o beijo que seca as lágrimas e molha o ventre
há de haver o silêncio cúmplice nos dias sem flores
há de haver o vôo de asa emancipada, sempre pronta para voltar
há de haver os sentidos confundidos na bagunça da cama
há de haver as músicas trocadas pelo olhar
há de haver as mãos distribuídas em afagos
há de haver as sombras guardadas no bojo da luz
há de haver as pedras bordadas em ponto cruz
há de haver a segunda com preguiça
há de haver a sexta com vinho
há de haver os sábados com os amigos e o domingo só eu e tu
há de haver o mar e sua beleza pintando o céu de azul
há de haver Clarice, Pessoa, Neruda e Drummond em colchão d’água
há de haver o livro publicado
há de haver a poesia sempre por fazer
há de haver os netos para contarem a história


